quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Rio de Outubro



Sombras projetadas nas paredes do corredor estreito, úmido, rusticamente cuidado, pintado e com marcas e siglas militares a cada cinco metros. Sombras de dois homens bem diferentes.

– Senhor? Me desculpe retira-lo da festa, mas… foram ordens!

As sombras prosseguem em silêncio. Somente os passos ficaram mais sólidos.

– Só queria que o Senhor entendesse minha posição…

Só passos, sombras e silêncio.

Madrugada morna, céu limpo e claro, onde a lua atrás do Cristo Redentor projeta uma atmosfera de segurança, de paz, na belíssima Cidade Maravilhosa.

Uma rua vazia e silenciosa do centro do Rio é sacudida por uma forte explosão!

Vidros quebrados espalhados por toda a parte. Os carros estacionados disparam seus alarmes; um som ensurdecedor transforma aquele lugar.

Na penumbra, criada pela fumaça da explosão é possível ver três vultos correndo de dentro do banco em direção a um carro estacionado bem em frente. Arrancam em disparada, deixando uma marca forte de borracha na Rio Branco vazia.

A sua frente uma porta de ferro pintada de azul marinho, com arrebites de ferro enferrujados e cobertos por camadas de tinta sobrepostas aparentemente por anos de cuidado. Sólida, gigante, mesmo comparada às paredes a sua volta, esculpidas na rocha pura.

A única coisa que ancora essa situação ao mundo moderno é o seu dispositivo digital de travamento - uma tela sensível ao toque; nada mais.

– Senhor! Por favor digite seu código de acesso.

A gigante se arrasta lenta e pesada para dentro da estrutura escavada diretamente na rocha.

Um barulho intenso inunda o corredor. O ambiente interno é fortemente iluminado com pessoas correndo de um lado a outro carregando equipamentos, arrastando cabos, soldados armados em cada canto. Uma estrutuda estonteantemente grande, como uma catedral. Aliás, este é o apelido dado ao Laboratório [de Pesquisas] Aero Espaciais - LAE.


Continua...